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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

monotonia

Que mania essa que a gente tem de se sentir sozinho no meio de um mundo inteiro... Que nem tanto amor que puderem nos dar preencherá um coração, as vezes tão cheio e outras tão vazio.
Acho que sou eu que canso das pessoas, de mim mesma, talvez. Que canso das paredes sempre pintadas das mesmas cores e do arco-íris tão colorido e tão sempre igual. Quem sabe seja mesmo eu, que tenho medo da imensidão do céu, do amarelo do sol e de tudo mais também.
É a saudade que não sei mandar embora. É a saudade que foi embora e a falta que deixei de sentir. Fico triste, queria sentir mais falta, porque a gente se sente mal quando começa a não lembrar mais. A gente não se sente mal porque esqueceu, mas aí um dia a gente lembra e dói tudo outra vez.
É, tem dessas coisas também, de a gente esquecer de andar na moda e aí fica mesmo meio estranho quando alguém nos vê no meio da multidão.
Acho que não tem a ver com moda não, tem mais cara de mania mesmo, tem cara de coisa do coração.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

um brinde ao amor

Dois corações que se amam por contrato. Aquele velho modo de dizer as coisas, "estarei sempre ao teu lado" e peço que não esteja, que não fique se não tiver vontade de ficar. Não espere de mim mais do que eu posso dar e não me deixe amar mais do que me cabe o amor e, de um jeito tão comum, me cabe porque eu quis que coubesse e insisto em afirmar pra mim mesma que posso tirá-lo daqui no instante em que desejar. E quem me dera controlar um coração.
No mais, continuo aqui, vendo a tragédia acontecer, tão bonita, diante dos meus olhos, pra depois adentrar a noite deixando mais um rastro de silêncio que começa nos meus pés e termina onde eu aprender a amar.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

um sorriso que combina com o meu

De qualquer sorriso que fosse o mais bonito do mundo, fico com o meu, estampado no meu rosto ao lado teu. Que do encontro tirasse apenas um olhar, me olhava curioso enquanto eu não tinha absolutamente nada pra mostrar, nada para falar ainda que sempre dentro de mim houvesse um diálogo interminável onde só cabia a mim esse doce monólogo frágil e contestável, eu, que não me bastava apenas em contar, queria ouvir, por medo de em meio a tantas palavras minhas, me visse, ele, rasa. Então me aquietou, por muitas vezes me tirou a voz, que ficava presa na garganta querendo responder perguntas sem resposta, e falou, mais que isso sussurrou, me levou pra bem longe,sutil, me despindo o medo, me vestindo o amor e, sem perguntar se queria amar, me inundou, me olhou, me sorriu.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

sorrir, só rir, sou rir

O vento que sopra hoje já não é o mesmo de dias atrás. Queria ser brisa pra bagunçar os cabelos, podia ser o arrepio que sobe as costas e sussurra no ouvido. Seria o beijo apaixonado de um casal que sorri e entre beijos e sorrisos podia ser a lágrima. Seria a saudade que aperta o coração, seria o cheiro do perfume que me lembra esse amor. Seria o quente das coxas, o frio dos pés. Seria o lençol molhado de suor, o sussurro, o arranhão. Seria a força com que as mãos seguram as cobertas já desnecessárias, mas então poderia ser o frio que faz lá fora, o brilho intenso da lua essa noite, poderia até ser a escuridão se conseguisse não me sentir um arco-íris, seria a chuva se não me sentisse tão sol.
Os olhares que se cruzam no cruzar de pernas. As vozes que tão baixinhas gritam para o mundo. O silêncio que permite ouvir o bater de asas de um beija-flor, o som dos passos, dos pés pesados que pisam as folhas secas, o beijo estalado, o sorriso esboçado, a respiração ofegante, as batidas do coração acelerado. Seria o meio sorriso, daqueles bem tímidos, sem jeito. Seria a simplicidade porque é tudo o que somos, seria o amor, porque é tudo o que temos.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

sentir-se azul

Não tenho certeza de quantas pessoas entendem esse "sentir-se azul", talvez seja uma coisa muito musical, daquele tipo de coisa que poeta sente. Sentimento que não posso de forma alguma classificar como 'felicidade', vai tão além disso que não me restam palavras, não posso descrever um momento, um segundo, um beijo.
Me sinto azul porque é azul o céu e o mar, e é aquele azul de quando eles se encontram que me sinto. Me sinto paz, descobri a vida que existe além do ritmo descompassado da minha respiração, to contando minha vida pelos momentos em que perco o ar, perco as palavras, estranhamente fico sem saber o que falar.
Sou cada vez mais o sol, o mar, a chuva também, sou cada vez mais eu e mais e mais e mais eu.
Azul é entregar o coração sem medo de tê-lo despedaçado, azul é sorrir com todos os motivos pra chorar, azul é tão azul, tão eu e hoje em dia cada vez mais nós dois. Azul é transbordar, explodir, aquela vontade de gritar, de sair por aí sem rumo, sem hora pra voltar, sem medo de deixar qualquer coisa pra trás, é não ter o que deixar pra trás por ter certeza de que carrega tudo dentro de si. E por isso não cabe. E por isso transborda. E me deixo transbordar, sem medo de perder nada por já ter tido muito mais que precisava para sorrir.
Sentir-se azul é exatamente como me sinto agora, é o mundo colorido no meio do cinza que todo mundo vê, é meu sorriso sempre tão a toa, é minha felicidade imediata ao poder ver o sorriso que faz eu me perder, que me perco porque não quero mais me achar, e andar perdida pelo mundo inteiro, e poder ser sem roupa se eu quiser, e poder tirar a roupa de quem eu quiser, e poder ser eu o máximo que eu puder.
É um orgasmo que dura mais que alguns segundos, é prazer por poder viver a vida como ela deve ser vivida, é sentir-se azul.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

de lembrar você

Faço poesia e nunca vai ser letra de música mesmo, faço música sem espaço pra sentir o que me vem num suspiro longo e um sorriso daqueles sem querer.
Canto em silêncio os versos que fiz naqueles dias de saudade, que não me fazem saber nem um terço a mais do que já sabia sobre nossos planos e medos, que hoje já não são voltados a ninguém, só a nostalgia que me faz ter esse cheiro que não existe mais e no meu mundo utópico as flores cheiram a nossos perfumes misturados.
Sorriso que me lembra o dia lindo que faz lá fora, que bota mesmo cor no céu, que eramos cada vez mais nós dois e agora tão só, uma só pessoa que te tem no colo, que tens nas mãos tudo o que não sei cuidar.
Mas tudo o que tenho pra dizer ainda guardo pra mim e aquele "nós dois" que é cada vez mais sozinho, cada vez mais só dois, distantes, ele tão ao céu e continuo nesse meio termo, pisando o chão que já não queria andar, tendo que seguir esse caminho sem saber pra onde ir, não querendo que chegue em qualquer lugar, fico parada e ele me jura que estou caminhando e que estou no caminho certo, ainda que não tenha movido os pés

terça-feira, 28 de agosto de 2012

azul

Livres teus jeitos, de leitos já mortos faz tempo. Devagar, teus dedos, sorrisos armados, milimetricamente posicionados.
Soltos, teus braços, teu calor perfeito, me entrelaça os desejos, segura-me pelos medos dos quais já não tão covardemente fujo.
Primeiro, segundos antes de um beijo.
Podia acordar todo dia desse jeito, meio sem jeito pra dizer o que não digo e tomar café da manha olhando a chuva pela janela da cozinha, e esperar passar todo o dia, e querer ser cada vez mais minha mesmo sabendo que a tempo que já não me pertenço mais.
Pretos olhos sempre tão calmos, os meus transparecendo tudo o que não preciso mais esconder, perturbados, impensados.
E os cinzas dessa cidade urbana ainda são os mesmos coloridos sonhos, ainda colore meu mundo um sorriso, que nem sempre por minha causa, me fazem ser de novo todo aquele azul, seria azul para sempre, sem querer ser uma cor mais complexa que essa, e seria só céu, seria só mar, seria só o que hoje já sou: meu sorrisos por ser o que eu sinto, por poder ser sentimento.
Mas pense duas vezes, isso não é pra você. Isso sou cada vez mais eu, sendo quem eu sou e sou porque gosto de ser. Isso não é sobre você, é sobre o azul que me faz ser.

sábado, 4 de agosto de 2012

trem das onze

Eu pegaria o trem das onze se já não fossem onze e meia, mas parada na estação esperando por um trem que nunca virá observo o vai e vem das pessoas, seus desejos, suas cores, seus rostos, reencontros.
Reencontro é não te encontrar, não te ver é como te achar e em meio a mais de mil, um.
Chegou naquele trem azul e botou cor no meu mundo, dançou comigo devagar, no nosso salão de dança,descompassado, sem passo algum.
Me levou pra nadar no mar, nosso oceano, mergulhados em nossos lençóis.
Me deixou voar no céu, azul feito o trem, azul feito nós.
Era alto e a queda foi grande, entrou na estação, naquela meia estação, primavera.
E assim se foi, no trem das dez, me deixou apenas com lembranças que não me deixariam ser pra ninguém o que não pude ser ali, que me daria medo toda vez que quisesse ser de alguém, que me deixaria na duvida sempre que com certeza pudesse confiar, me deixar levar, ser, estar. Mas hoje já não me perturbam mais, eu estava até agora a pouco me dirigindo a estação, para pegar o trem seguinte, o trem das onze, e segui-lo, mas encontrei alguém no meio do caminho e me perdi no tempo, meu tempo, nosso tempo. Me atrasei, e não é de costume. Me entreguei, aceitei aquela partida de quem eu precisava que fosse embora e a chegada de quem quero que fique.
Eu pegaria o trem das onze se já não fossem onze e meia.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

prisioneira

Presa dentro de si mesma, atrás de barras de ferro enormes. Por uma pequena janelinha ainda entrava a luz do sol, mas só lá pelas seis e meia, pouco antes de ele se pôr. De fato era feliz naquele horário, mas queria poder ficar virada para o outro lado e vê-lo nascer.
Eu ia dizer princesa pra ter a certeza de um final feliz, mas combina mais com prisioneira.
Não foi o primeiro corajoso a tentar libertá-la, mas esperava que esse fosse o último e a levasse de lá no futuro, um futuro próximo.
Sentava-se perto da janelinha e a fazia acreditar que sairia dali em breve, mas aí o sol se punha e a noite nunca era tão doce quanto o dia.
Entrava na cela o carcereiro, vestido de preto, mas sem mascara nenhuma, dizendo "lembre-se desse rosto, desse nome" e não esqueceria. As mãos frias em suas coxas sempre quentes, as pernas cruzadas, tremiam. Era medo mesmo, mas fazia-se parecer segura, eis o lado bom da imaginação fértil. Palavras nunca ditas, sempre gritadas, demonstravam mais nojo do que medo, ainda que fosse ao contrário. Eis aqui também o lado bom de ser prisioneira e não princesa, as pernas o empurravam para longe, o sangue no canto da boca do carcereiro lhe dava mais prazer que suas mãos frias tocando sua pele. Ia dormir com as palavras duras "vais pagar por isso", mas não sabia o que podia ser pior que tudo aquilo.
Amanhecia com a voz do seu suposto salvador, e por um segundo esquecia a noite anterior, mas as mãos geladas pelo frio da manha encostavam em sua pele e o mesmo medo tomava seu corpo. Se sentia culpada por compará-los, por não conseguir acreditar que seria diferente, ainda que no fundo soubesse que sim, mas ali estava, sentada, esperando ser salva, presa dentro de si mesma, atrás de barras de ferro enormes.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

e são sim cachorros

Ele não vai te ligar de cinco em cinco minutos, ele não vai dizer que te ama da primeira vez que perceber isso. Homem também é inseguro, também tem medo do que sente.
Ele não vai te dar todos os sinais possíveis de que está gostando, e ai cabe a você sacar as dicas sempre bem escondidas, que aparecem, na maior parte das vezes, em palavras ditas sem querer. Sabe? Aquela hora que ele diz alguma coisa e você não entende, ai pergunta "o quê?" e ele diz "nada, nada, deixa pra lá".
Bem, homens não são da espécie mais explícita, muito menos a mais domável, mas por muitas vezes se parecem filhotinhos de cachorro, que te olham com aqueles olhinhos brilhantes e vem correndo na sua direção enquanto seu rabinho balança de um lado para o outro, deixando bem claro o quão está feliz por te ver. A diferença é que os nossos bichinhos não tem o rabinho abanando e, como eu já disse, não são do tipo explícitos, portanto, se você não perceber os olhos brilhando, não haverá outro tipo de sinal. Ele não virá correndo, não quer parecer ansioso por te ver, mas os passos rápidos e a falta de palavras talvez mostre que são tão bobos quanto labradores.
Bem, são mesmo cachorros, mas do tipo mais doce e amável. Não tão racionais em determinadas situações, mas jamais os chame de cachorros em tom pejorativo, pois ai sim eles irão morder e deixar cicatrizes. Tudo depende de como você os cria, afinal, nada impede que um pitbull seja dócil e um golden retriever bravo. Tudo depende de você, a dona é sempre responsável por mantê-los na coleira e criar o tão famoso amor incondicional entre mulheres e homens, digo, cachorros

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Borboleta

Venha ver o sol, o céu tão azul, as flores tão cheias de vida...
O universo conspira a nosso favor, o cheiro doce não te lembra nada?
O mundo chora, mas carrego um sorriso enorme no rosto e as pessoas se perguntam o que me ocorre. Acontece que hoje é um dia especial, minha borboleta saiu pela janela e encontrou o amor. Logo ela que sabia tão bem como controlar suas emoçoes e que era tão despreocupada. Logo ela, tão bonita, que costumava me alertar sobre o amor. Mas não hesito em dizer que está ainda mais bonita. Sim, pequena grande borboletinha. Borboleta porque remete a delicadeza e me lembra confiança, borboleta porque de tão linda me obriga a sorrir. Confesso que não sou muito fã de beleza barbie, mas seu cabelo tão amarelinho repicado de cima a baixo cai bem em você. Os olhos nem são azuis, mas nem precisavam, já que transmitem todo o brilho existente nos olhos mais claros desse mundo. Coração maior eu não conheço, mente mais aberta aos meus erros não existe também. Sorriso tão alinhadinho e rosto de anjo, meu anjo, borboletinha, que voa ao meu redor, dizendo onde não ir, dizendo em quem não acreditar, dizendo até quando esperar, e tem acertado bastante.
Entende meu silêncio, aguenta minhas lágrimas, sabe fazer meu coraçao não pesar, e principalmente não doer.
Borboleta amarela, de olhos escuros, de toque suave, de coração puro e agora lotado de amor, toda ela de amor, toda ela feita para amar, toda ela linda, brilha, vive, me faz sorrir, me faz feliz.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Palavras duras em voz de veludo

Que bonitos versos que você tem feito, que belas mentiras que você tem inventado. No teu poema a palavra amor não rima com dor em momento algum, mas pronuncia a palavra "única" inumeras vezes.
Gosto do primeiro verso, o segundo é bonito também, a primeira estrofe inteira me encanta, fala dos beijos, dos dentes, das bocas juntas, e no último verso da primeira estrofe fala da harmonia perfeita dos corpos unidos.
Sabe, a segunda estrofe já não me agrada tanto, o primeiro verso chega muito próximo do meu coração, e no quarto meu corpo já está totalmente tomado por essas palavras maravilhosas que você junta de um jeito que as faz parecerem verdades nunca ditas antes. Não era pra me tocar assim, meu coração está de cabeça pra baixo, e na terceira estrofe você o leva ele pra longe, me diga por favor onde escondeu meu coraçao, eu não quero mais brincar com você, devolva-o, agora!
A quarta estrofe é até parecida com a primeira, mas não gosto desse sorriso ironico que surge da tua boca enquanto lê, eu já disse, não quero mais essa brincadeira. Os versos passam rápido, e eu nem consigo parar de olhar teus lábios se mexendo.
Quinta estrofe? Eu já não queria mais ouvir, pensei que o terceiro verso da quarta estrofe fosse o último, ainda tem mais? Não aguento mais escutar, não aguento esse vício dos meus olhos em você, e meus sentidos estão todos viciados no teu cheiro e no teu beijo, pare de ler, eu não quero mais ouvir, não me obrigue a ficar, me deixe partir, o poema vai acabar na quinta estrofe. Não vai?

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Como era bom ouvir tua voz em cima da minha sacada, debaixo do meu cobertor, como era bom sentir teu cheiro nas minhas roupas, nos meus segredos, mas ai pulou da sacada, e caiu no mar de pedras, suicidou o nosso amor.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Cidade de amores

cidade iluminada, onde o sol não precisa bater e a noite não faz questão de chegar, onde o fim é uma vida inteira, e depois dela, ainda que a cidade não funcione mais, continua habitada, assim como depois de mortos continuamos habitando tantas cidadezinhas.
E quantas vezes por dia podemos falar que amamos alguém, ou apenas demonstrar com um olhar, e quantas pessoas podemos amar ao mesmo tempo, e esse amor não se divide, é o mesmo, é cada vez maior. E quantas pessoas moram no nosso coraçao? Um lugar tão pequeno e tão enorme, cheio de amor, cheio de gente, mas é claro, ninguém consegue viver sozinho, precisamos amar muita gente, para que nossos amores não se sintam sozinhos nessa pequena grande cidade.
Eles tem convivido muito bem, desde que eu me lembre, são amores lindos. As vezes alguns deles insistem em deixar a cidade, se mudar, e se vão, as vezes voltam, as vezes vendem suas casas para outros amores, as vezes, se vão mas suas casas continuam ali, abandonadas, sem ninguém, apenas com lembranças. As vezes entram lá para tirar a poeira, revirar um pouco aquele sentimento, mas continuam ali, vazias, ainda que suas pinturas continuem para sempre perfeitas.
Vivemos também em varias cidades, ao mesmo tempo, um amor diferente em cada cidade, um outro jeito de amar em cada lugar, uma casa maior ou menor, é como se o coraçao fosse uma cidade, onde várias pessoas moram, e que cidade linda, de tantos amores.

-Participação de Bi Giriboni, a que se deve a teoria (esses pensamentos malucos sempre me rendem bons textos. haha te amo)

sábado, 23 de julho de 2011

Minha rosa

Já tinha morrido, e fazia tanto tempo, era tão cheirosa, tão macia.
Já havia até esquecido, mas os cortes que me fez me fazem sempre lembrar de como era tão boa e tão ruim.
Eu sempre a perdia, a via nas mãos de outras, fazendo todo mundo tão feliz, porque os cortes só via em mim, os espinhos se recolhiam quando saiam de minhas mãos.
E mesmo que os espinhos fossem enormes, eu os cortava da forma a machucá-la menos, com a esperança de que nunca mais voltassem, mas bastava eu dormir, e quando abria os olhos, lá estavam eles, maiores que nunca. Ainda assim eu a segurava com força, deixando os espinhos penetratem minha pele, sem dizer uma palavra, apenas adimirando a beleza de suas petalas vermelhas e seu aroma doce.
Não fazia questão de tê-la só pra mim, isso já não fazia mais diferença, mas as petalas cairam, e tive que deixá-la ir. Foi com o vento que soprava forte, foi tão bela, e deixou saudade. Minha mão, ainda marcada não me deixa esquecer, meus sentidos viciados, me fazem cada vez mais lembrar, do cheiro, do beijo, do jeito que me fazia sentir, do jeito que me fazia feliz.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Como uma música


As músicas tem um começo, e como todo bom começo trazem conforto, é o começo que te faz continuar, até o fim. Chgamos então ao refrão, e é maravilhoso, não sai da cabeça, mais um verso, alguns segundos, dias, talvez anos, metaforicamente falando. Ai o refrão se repete, e já nao é mais de tanto impacto como da primeira vez, mas ai lembramos do começo, e seguimos em frente. O final, surge as vezes do nada, você nao espera, e acaba, as vezes o som vai abaixando, até que seja impossivel ouvir alguma coisa, sabe, uma metafora.