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quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Quase

É que quase não é beijo, nem verdade, nem inteiro! Quase sim é não e no quase abraço permaneci sozinha, eu e a minha vontade de ser, mas sendo quase, um quase amor. No quase dizer me calei e guardei pra mim. No quase viver, morri. Morri engasgada com todas as palavras que quase falei, silêncio.
A noite era bonita, sim, esperava que dissesse não, naquele ato quase heroico de segurar pela cintura e lembrar que eu disse que ficaria ali para sempre. Desisti de esperar e resolvi finalmente ir. Lá pela decima vez já esperava me sentir livre de todas as coisas nas quais desejava mais que tudo me prender, soltei. Esperei o tempo de acordar, quase sonhei, mas os pés, como sempre, imóveis no chão.
Dizer que ama não é, de forma alguma, amar. Não faz acreditar que é verdade e ainda hoje espero o dia que vou acordar e lembrar que tudo isso não passa de sonho, porque na vida real não tem amor tão grande assim, que nada possa destruir. As coisas vem e vão, nunca permanecem porque um dia cansam de ficar, mas quase fui feliz, quase aprendi a amar, infelizmente quase não é beijo, nem verdade, nem inteiro.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Brasil, mostra tua cara!

Um empresário pagando pra botar um outdoor na rua, onde em baixo dorme um mendigo. O homem de terno que sai do escritório e procura sexo em qualquer esquina, enquanto sua mulher o espera deitada nua na cama, com o coração vazio e sem amor, se perguntando o que mantém o casamento. A mãe que deixa o filho ficar obeso e tantos sem mãe sofrendo a falta de peso. A psicóloga dizendo para um menino de quinze anos que os problemas familiares vão passar e fora do consultório, do outro lado da rua, um menino de treze anos sentado na calçada, esperando pelo pai que saiu pra beber com os amigos e nunca mais voltou, esperando a mãe que saiu de casa com um vestido colado para dormir na casa de um amigo político e disse que voltaria pela manhã. As óticas cheias de quem não quer ver o futuro e na porta um homem cego tocando violão. Os hospitais cheios de esperança, os médicos em horário de almoço e não se sabe quando vão voltar. A moça sendo presa porque roubou pão na padaria, alimentou seu filho e logo em seguida viu uma lágrima escorrendo por aquele rosto tão frágil, enquanto era jogada como um animal na viatura; Do outro lado da cidade um político com dinheiro nas cuecas de seda, em seguida abotoando a calça do terno e pegando um avião particular para almoçar no restaurante mais chique do país. Os traficantes mais espertos que a polícia. O governo com medo dos "por quês" da juventude, deixando-os incapazes de argumentar. O rico cada vez mais rico, o pobre cada vez mais pobre, a miséria que não conseguimos ver através de uma nota de cem e aí tapamos nossos olhos com a riqueza, não vemos o que acontece em cada esquina, cada beco sem saída. O país do carnaval, o país da putaria.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

ao amor

Sempre tem aquele momento depressão coletiva do dia e ai todo lugar que entro só vejo as meninas desiludidas com frase feita dizendo como achar o homem perfeito e numa dessas li algumas que me fizeram pensar... "ache um homem que te chame de linda ao invés de gostosa, que pegue na sua cintura e não na sua bunda" ou "escolha alguém que queira ir na sua casa conhecer seus pais e não a sua cama" ou ainda "um homem de verdade é aquele que quer mudar apenas seu sobrenome".
E aí percebi como mulher tem umas paranoias e piram em algumas coisas desnecessárias.
Não é porque um homem te chama de gostosa que não pode te achar bonita também. Não é necessário procurar, amor vem quando tem que vir, e você vai saber que é ele quando chegar.
Não é porque um cara pega na tua bunda que não saiba te olhar no olho, sorrir pra ti, chegar bem perto, botar teu cabelo atrás da orelha, dizer "tu é linda" e te beijar com a mão no teu pescoço, mexendo no teu cabelo, daquele jeito que te faz ir pra algum lugar bem longe dali e te deixar naquela vontade de estar lá pra sempre.
Não é porque ele deseja teu corpo que não se importe em ter teu coração, na verdade quando tu menos perceber já terá entregue teu coração pra ele.
Pode ser que um dia ou outro, quem sabe até várias vezes ele te jogue na cama, segure teus braços e diga um "gostosa", mas aquele bem falado, em boa hora, mas outro dia ele pode só te dar um beijo e dizer "eu te amo". Amanha ou depois ele pode querer sair só com os amigos, e no dia seguinte ande de mãos dadas contigo e te bote pro lado de dentro da calçada.
Tá na hora de parar de procurar um homem que grite pro mundo inteiro que te ama, porque amor se declara no ouvido, sussurrado. Quem sabe até esteja na hora de parar de procurar, porque amor acontece e quando acontecer tu não vai achar importante quando ele te chama de gostosa ou de linda, e sim quando ele te chama de minha.

sábado, 23 de junho de 2012

de manhã

Gostava quando ele escondia seus desejos desse jeito doce. Gostava quando ele sorria com a boca bem perto da dela, quando ria. Sentia o perfume dela, o gosto do beijo.
As mãos que atravessavam o gelado das roupas e se esquentavam no quente da pele, ela sorria.
- O que foi?
-Tu me deixa louca. Respondia na esperança de não se perder, não enlouquecer de vez.
Não que já não estivesse perdida, mas ainda assim sentia que finalmente tinha se encontrado.
Dias frios não alteravam em nada, tiravam os casacos com calor. Buscavam amor em seus beijos sem sentimento algum, incrivelmente achavam. Um amor que aconchegava, dava colo, protegia do frio que fazia lá fora. Já era tarde, enxergavam melhor no escuro, era claro que não funcionaria, aquele amor já se esvaía pela manhã. Quando acordou deitada no peito quente dele já não sabia o que acontecia dentro de si mesma, todos os seus devaneios voltados a ele, todos os seus segredos confessados naquela noite fria, ela não tinha certeza se já amanhecia, então deitava novamente, dormia dentro do abraço.
Acordou e dessa vez sozinha, distinguir o que era real e o que era imaginação parecia muito trabalhoso naquele momento, aí deitou-se novamente, sentindo o cheiro de um perfume masculino em suas roupas e nas almofadas do sofá. Ali ficou, sem saber se o cheiro era real, ou se era apenas outra peça que sua imaginação pregava-lhe.

sábado, 2 de julho de 2011

mentiras em cima de mentiras

Não conseguia mais vê-lo, e as palpebras pousavam levemente, com os olhos apontados para o nada, até não conseguirem ver mais nada.
Os braços apoiados nos joelhos dobrados, a calça jeans rasgada molhada pelos pingos enormes de chuva, a cabeça baixa, quase tocando os joelhos. Sentada no chão molhado e frio, não se importava com mais nada,ele havia mentido, e isso era a única coisa na qual conseguia pensar, mas haviam dito, homens mentem, mesmo quando pensamos que um é diferente.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Quarta, quinta, sexta e sabado

Maquiagem forte, que esconde emoção, se é que existe alguma. Regado a bebida, inconciencia, falta de ética e de moral, mas já era de se esperar, essa vida moralmente questionável já veio a tona inumeras vezes, foi só outra, de muitas que ainda virão.
Espera, o sono ainda vai chegar, mas que ansiedade essa. É sempre de esperar que vem a merda, da falta do que fazer, isso também já era de se esperar né?
Acho engraçado, previsivel demais...
Era tanto beijo estranho, nunca esperava ver. Quer dizer, não vi... Olhei, porque quando eu vejo, to prestando atenção, e atenção não era mais possivel, logo depois do primeiro shot.
"vira logo" "vai" "shot, shot, shot" Ah, mas que novidade isso também, não? Não.
Mas olha, não me arrependo, de nada, de nadinha, não repenso, faria tudo outra vez, faria tudo mil vezes, foi ótimo, foi maravilhoso, questionável sim, minha moral é sempre questionavel, entao questione, ta ai pra isso, mas acredite, foi muito bom.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Afinal, os vandalos somos nós

As coisas acontecem sempre de um jeito meio misterioso, e acho incrivel todo mundo duvidar da mesma pessoa, sem ter nenhuma prova, e realmente, pode nem ter sido...
Ainda assim, ta mal contado, meio inexplicável, quer dizer, bebida sempre explica, mas pode ter sido qualquer um. Algum porteiro, algum vigia, algum adulto, algum velho, alguma criança, mas que diferença faz se os vandalos somos nós? Não importa quem fez, nao importa quem faz, a culpa é nossa sempre, quem paga pelas merdas que acontecem aqui somos nós, quem fica com fama de marginal, de vandalo, de adolecentes bebados e drogados somos nós.
A culpa não é nem nossa, esse esteriótipo de adolecente já existia antes de nós nascermos, mas a fama é nossa.
O que importa se fizemos ou não? O que importa se bebemos ou não? O que importa se fumamos ou não? Sempre seremos os bebados drogados que tem culpa de qualquer coisa quebrada ou errada que apareça, mesmo quando nao bebemos, mesmo quando nao fumamos, e mesmo quando ficamos em casa a noite toda, os culpados sempre somos nós.